Hidronefrose no ultrassom: o que significa o rim dilatado
Hidronefrose é a dilatação do rim por acúmulo de urina. Veja causas em adultos, gestantes e bebês, exames usados e quando é urgência.
Em resumo
- Hidronefrose é a dilatação da parte do rim que coleta a urina (pelve e cálices); é um achado de exame, não um diagnóstico final.
- Em adultos, uma causa frequente é o cálculo que bloqueia o ureter; na gestação, uma dilatação leve pode fazer parte das mudanças normais do corpo.
- No bebê, a dilatação vista no pré-natal muitas vezes desaparece sozinha, mas precisa ser confirmada com ultrassom depois do nascimento.
- Rim dilatado com febre, ou com pouca ou nenhuma urina, é urgência e precisa de atendimento no mesmo dia.
A palavra hidronefrose costuma aparecer no laudo de um ultrassom pedido por dor nas costas, por um check-up ou durante o pré-natal. O termo assusta, mas ele descreve apenas o que a imagem mostrou: o rim está com a região que recolhe a urina mais dilatada do que o esperado. O passo seguinte é descobrir por que isso aconteceu e se há algo atrapalhando a saída da urina.
O que a hidronefrose mostra
Cada rim filtra o sangue e produz urina, que se junta em pequenas cavidades chamadas cálices e depois em um “funil”, a pelve renal. Dali, a urina desce pelo ureter até a bexiga. Quando a urina tem dificuldade para seguir esse caminho, ela se acumula e a pelve e os cálices se distendem. No ultrassom, essa dilatação aparece como áreas escuras no centro do rim.
O laudo pode usar outros nomes para situações parecidas, como ectasia pielocalicial ou dilatação do sistema coletor. Quando o ureter também está dilatado, fala-se em ureterohidronefrose. Muitos laudos classificam a dilatação como leve, moderada ou acentuada, o que ajuda a avaliar a urgência, mas não substitui a investigação da causa.
Um ponto importante: dilatação nem sempre significa obstrução. Há rins que ficam um pouco dilatados sem que exista um bloqueio que ameace sua função. Por isso, o achado precisa ser interpretado junto com os sintomas, os exames de sangue e, às vezes, exames complementares.
Causas mais comuns em adultos
As causas mudam conforme a idade e o contexto:
- Cálculo (pedra) no ureter: é uma das causas mais frequentes de hidronefrose de instalação rápida. Costuma vir acompanhada de cólica forte nas costas ou no flanco. Saiba mais no nosso texto sobre cálculo renal.
- Obstrução na saída da bexiga: o crescimento da próstata, um estreitamento da uretra ou a retenção de urina podem fazer a pressão subir na bexiga e, com o tempo, nos dois rins. Veja também os textos sobre crescimento da próstata e retenção urinária.
- Estreitamento da junção entre a pelve e o ureter: uma alteração presente desde o nascimento, que às vezes só é descoberta na vida adulta.
- Compressão por fora do ureter: massas, gânglios ou cicatrizes no abdome ou na pelve.
- Tumores do trato urinário, que podem bloquear o fluxo e precisam ser descartados quando não há outra explicação.
Na gestação
Durante a gravidez, as mudanças hormonais e o crescimento do útero podem deixar os rins, principalmente o direito, levemente dilatados. A diretriz de cálculos urinários da Associação Europeia de Urologia (EAU) lembra que essas mudanças normais da gestação podem imitar uma obstrução no exame.
Quando a gestante tem dor forte, febre ou sinais de infecção, o médico precisa diferenciar a dilatação esperada de um cálculo ou de uma infecção no rim. Nessa fase, o ultrassom é o exame preferido; a ressonância magnética é a segunda opção e a tomografia de baixa dose fica como último recurso, segundo a mesma diretriz. O cuidado é feito em conjunto com o obstetra.
No bebê: a dilatação vista no pré-natal
A dilatação do rim é um dos achados mais comuns no ultrassom do pré-natal. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, cerca de 5% das gestações apresentam essa dilatação e aproximadamente metade dos casos desaparece até o nascimento.
Mesmo assim, o achado precisa ser acompanhado. A diretriz de urologia pediátrica da EAU orienta:
- fazer o ultrassom do bebê depois das primeiras 48 horas de vida, porque antes disso a criança está naturalmente menos hidratada e a dilatação pode parecer menor do que é;
- nos casos mais graves (dilatação nos dois rins, rim único ou pouco líquido amniótico na gestação), fazer o ultrassom logo após o nascimento.
Entre as causas que precisam ser investigadas estão o estreitamento da junção entre a pelve e o ureter, que é a causa mais comum de hidronefrose do recém-nascido quando há uma doença por trás, e o refluxo vesicoureteral. Em meninos com dilatação nos dois rins, também se pesquisa obstrução na uretra.
Muitos casos são apenas acompanhados com ultrassons seriados. A cirurgia (pieloplastia, que reconstrói a passagem entre a pelve e o ureter) é considerada quando há sintomas, como dor recorrente ou infecção urinária com febre, piora da dilatação ou perda de função do rim nos exames.
Como é a investigação
A investigação é feita por etapas, conforme o caso:
- Ultrassom de rins e vias urinárias, de preferência com a bexiga cheia, para avaliar o grau da dilatação, a espessura do rim e o esvaziamento da bexiga.
- Exames de sangue e urina, incluindo a função dos rins (creatinina) e a pesquisa de infecção.
- Tomografia, muito usada em adultos com suspeita de cálculo, por mostrar a pedra e o ponto de bloqueio.
- Cintilografia renal com diurético, que mede quanto cada rim funciona e se a urina está conseguindo sair. É bastante usada em crianças e quando a dúvida é se existe obstrução de verdade.
- Uretrocistografia miccional, em crianças selecionadas, para pesquisar refluxo e alterações da bexiga e da uretra.
Quando é urgência
A diretriz da EAU considera emergência urológica o rim obstruído com sinais de infecção urinária e o quadro em que a pessoa deixa de produzir urina (anúria). Nessas situações, além de iniciar antibiótico, é preciso desobstruir o rim rapidamente. As duas formas usadas são o cateter duplo J, passado por dentro do ureter, ou a nefrostomia, um tubo colocado no rim através da pele. O tratamento definitivo do cálculo costuma ficar para depois que a infecção estiver controlada.
Procure atendimento no mesmo dia se houver:
- febre ou calafrios junto com dor nas costas ou diagnóstico de rim dilatado;
- diminuição importante ou ausência de urina;
- dor muito forte que não melhora com o analgésico orientado;
- vômitos persistentes;
- dilatação em pessoa com rim único.
Tratamento depende da causa
Não existe um tratamento único para “hidronefrose”. O plano é feito a partir da causa e do quanto o rim está sendo afetado. Uma dilatação leve, sem sintomas e sem perda de função, pode apenas ser acompanhada. Um cálculo pode sair sozinho ou precisar de procedimento. Uma obstrução na saída da bexiga pede tratamento da próstata ou da uretra. Um estreitamento congênito pode exigir cirurgia reconstrutora.
Se você recebeu um laudo com essa palavra, leve à consulta o exame completo com as imagens, os resultados de creatinina e de urina e a lista de medicamentos em uso. No consultório do Dr. Ruston Louback, em Manhuaçu-MG, adultos, gestantes encaminhadas pelo obstetra e crianças podem ser avaliados para entender a causa da dilatação e definir o acompanhamento adequado para cada situação.
Quando procurar o urologista
- O laudo do ultrassom ou da tomografia falou em hidronefrose, ectasia pielocalicial ou dilatação do sistema coletor.
- Há dor forte nas costas ou no flanco, com ou sem enjoo, principalmente se você já teve pedra nos rins.
- O ultrassom do pré-natal ou do bebê mostrou dilatação no rim.
- Rim dilatado com febre, calafrios ou diminuição importante da urina: procure um pronto atendimento imediatamente.
Referências
- European Association of Urology (EAU). Guidelines on Urolithiasis
- European Association of Urology (EAU). Guidelines on Paediatric Urology: Dilatation of the Upper Urinary Tract (PUJ Obstruction)
- European Association of Urology (EAU). Guidelines on Urological Infections
- Sociedade Brasileira de Pediatria (Departamento Científico de Nefrologia). Hidronefrose pré-natal
Conteúdo informativo, não substitui consulta. Este artigo tem finalidade educativa e não deve ser usado para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso exige avaliação individual por um médico. Em situações de urgência, procure atendimento imediato.