Epididimite e orquite: inchaço e dor no testículo por inflamação
Dor e inchaço que pioram ao longo de dias na bolsa escrotal podem ser epididimite ou orquite. Veja causas, como é o diagnóstico e quando é urgência.
Em resumo
- Epididimite é a inflamação do epidídimo, o canal que fica atrás do testículo; quando o testículo também é atingido, fala-se em orquiepididimite.
- Em homens jovens e sexualmente ativos, as causas mais comuns são infecções sexualmente transmissíveis; em homens mais velhos, bactérias da urina.
- A caxumba pode causar orquite, e a vacina tríplice viral, oferecida pelo SUS, é a forma de prevenção.
- Dor súbita e muito forte no testículo, principalmente em adolescentes, pode ser torção testicular e exige pronto-atendimento imediato.
Um lado da bolsa escrotal começa a doer, fica inchado e mais quente, e a cada dia parece um pouco pior. Muitos homens esperam passar sozinho. Em boa parte das vezes, esse quadro corresponde a uma epididimite ou a uma orquite, inflamações que têm causa identificável e tratamento definido, mas que precisam ser diferenciadas de situações de urgência.
Epidídimo, testículo e o que inflama
O epidídimo é um canal fino e enovelado que fica encostado na parte de trás de cada testículo. É ali que os espermatozoides amadurecem e ficam armazenados antes da ejaculação. Quando ele inflama, fala-se em epididimite. Quando a inflamação atinge o próprio testículo, o nome é orquite; e, quando os dois estão envolvidos, orquiepididimite.
Não é uma condição rara. A diretriz de infecções urológicas da Associação Europeia de Urologia (EAU) estima entre 25 e 65 casos para cada 10 mil homens adultos por ano. O quadro pode ser agudo, crônico ou recorrente.
Como costuma se manifestar
Segundo a EAU, a epididimite aguda se caracteriza por:
- dor em um dos lados da bolsa escrotal, geralmente na parte de trás do testículo;
- inchaço que pode ser sentido ao toque;
- aumento da temperatura local;
- piora ao longo de alguns dias, e não de forma instantânea.
A pele do escroto pode ficar avermelhada e o testículo pode ser atingido. Febre, ardor para urinar e secreção pela uretra também podem aparecer, dependendo da causa.
As causas mudam com a idade
Infecções sexualmente transmissíveis
Em homens jovens, saudáveis e sexualmente ativos, a EAU aponta como agentes mais frequentes a clamídia, o gonococo (causador da gonorreia), o Mycoplasma genitalium e o Ureaplasma. Nesses casos, costuma haver uretrite junto, com secreção que, na gonorreia, é espessa e abundante.
O protocolo do Ministério da Saúde para infecções sexualmente transmissíveis (IST) explica o mecanismo: essas infecções começam na uretra e, quando sobem pelo trato genital, podem causar orquiepididimite e prostatite. A EAU acrescenta um alerta importante: não relatar comportamento de risco não exclui uma IST em quem tem vida sexual ativa.
Bactérias da urina
Fora do contexto sexual, a causa mais comum são bactérias intestinais, como a E. coli, que chegam ao epidídimo a partir da bexiga. A EAU descreve esse padrão principalmente em homens mais velhos com histórico de infecção urinária, e cita como fatores de risco o aumento benigno da próstata, a bexiga neurogênica e procedimentos recentes nas vias urinárias, como sondagem ou exames endoscópicos.
Caxumba
A caxumba é a causa clássica de orquite viral. O Ministério da Saúde informa que a orquite é comum quando a infecção ocorre em homens adultos e que a epididimorquite está entre as complicações importantes depois da adolescência, embora geralmente não deixe sequelas. A EAU lembra que o vírus deve ser considerado quando os dois lados incham ao mesmo tempo, quando houve sintomas de virose antes e quando as glândulas salivares aumentaram de volume.
Causas menos comuns
A tuberculose pode causar uma epididimite de evolução lenta, principalmente em pessoas com imunidade baixa. Fungos e outras bactérias são causas raras.
Torção testicular: a diferença que não pode esperar
A EAU destaca que a torção do cordão espermático é o diagnóstico diferencial mais importante em meninos e homens jovens. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) descreve a torção como mais frequente entre 12 e 18 anos, com dor súbita e intensa na bolsa escrotal, que pode irradiar para a virilha e o baixo ventre, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos. Ela costuma acontecer em repouso, inclusive durante o sono.
Segundo a SBU, o problema deve ser corrigido por cirurgia, idealmente em até 6 horas, para evitar danos ao testículo. Por isso, a regra prática é simples: dor de começo repentino e forte no testículo, especialmente em adolescentes, é motivo para ir direto ao pronto-atendimento, sem esperar consulta marcada. Falamos mais sobre isso na página de saúde urológica infantil.
Como é feito o diagnóstico
A avaliação começa com a conversa sobre os sintomas, a vida sexual, infecções urinárias anteriores e procedimentos recentes, seguida do exame da bolsa escrotal. A EAU recomenda:
- cultura de urina do jato médio;
- pesquisa de clamídia e gonococo por teste molecular na primeira urina do dia ou em material da uretra;
- quando há suspeita de IST, rastreio de outras infecções sexualmente transmissíveis;
- ultrassom da bolsa escrotal, que segundo a diretriz é mais preciso do que o exame de urina sozinho e ajuda a afastar outras doenças.
Tratamento
Quando a causa é bacteriana, o tratamento é feito com antibióticos escolhidos pelo médico de acordo com o agente mais provável e ajustados depois do resultado dos exames. Não é um caso para automedicação: o antibiótico errado, ou pelo tempo errado, pode não alcançar a bactéria no epidídimo e manter a infecção.
Para aliviar a dor e o inchaço, a EAU cita anti-inflamatórios, compressas frias e manter a bolsa escrotal elevada, por exemplo com cueca de sustentação. Na caxumba, não há antibiótico a ser usado: o cuidado é voltado ao alívio dos sintomas.
Quando a causa é uma IST, alguns cuidados extras são importantes:
- evitar relações sexuais até a cura confirmada;
- avaliar e tratar a parceria sexual, que pode estar infectada mesmo sem sintomas;
- fazer a reavaliação indicada pelo médico ao final do tratamento.
Em uma minoria dos casos, há dor muito intensa, febre alta ou formação de abscesso. Nessas situações, a EAU orienta internação para antibiótico na veia e, às vezes, cirurgia para drenagem.
E a fertilidade?
A diretriz europeia cita um estudo em que os parâmetros do sêmen pioraram durante a epididimite, mas se recuperaram após o tratamento adequado. Isso reforça a importância de tratar corretamente e até o fim. Se o inchaço persistir ou deixar um nódulo endurecido, a reavaliação é necessária, porque um caroço no testículo também pode ter outras causas. Veja como fazer o autoexame dos testículos.
Prevenção
- Preservativo em todas as relações sexuais, a principal proteção contra as IST.
- Vacina tríplice viral: o Ministério da Saúde informa que ela é oferecida gratuitamente pelo SUS e que adultos que não tiveram caxumba na infância ou na adolescência têm indicação de se vacinar, exceto gestantes e pessoas com imunidade muito baixa.
- Tratar as infecções urinárias e acompanhar o aumento da próstata, quando presente.
- Não adiar a avaliação de secreção na uretra ou ardor ao urinar.
Dor no testículo merece avaliação
Dor e inchaço no testículo assustam, e a vergonha faz muitos homens e adolescentes demorarem a falar sobre isso. Entender a diferença entre uma inflamação que se instala aos poucos e uma dor súbita, que é urgência, ajuda a buscar o atendimento certo na hora certa. No consultório do Dr. Ruston Louback, em Manhuaçu-MG, a avaliação de adultos, adolescentes e crianças é feita com privacidade, com foco em identificar a causa e orientar o tratamento adequado para cada caso.
Quando procurar o urologista
- Há dor, inchaço ou calor em um lado da bolsa escrotal que vem piorando ao longo de horas ou dias.
- A dor no testículo vem acompanhada de febre, ardor para urinar ou secreção pela uretra.
- O inchaço não melhora com o tratamento, volta a aparecer ou deixa um caroço endurecido.
- A dor começou de repente e é intensa: nesse caso, vá direto a um pronto-atendimento.
Referências
- European Association of Urology (EAU). Guidelines on Urological Infections – Acute infective epididymitis
- Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Torção de testículo: o que é preciso saber! – Portal da Urologia
- Ministério da Saúde. Caxumba (Saúde de A a Z)
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), 2022
Conteúdo informativo, não substitui consulta. Este artigo tem finalidade educativa e não deve ser usado para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso exige avaliação individual por um médico. Em situações de urgência, procure atendimento imediato.