Balanopostite: inflamação na glande e no prepúcio, causas e cuidados
Vermelhidão, coceira ou secreção na cabeça do pênis podem ser balanopostite. Entenda as causas, a ligação com o diabetes e por que evitar pomadas por conta própria.
Em resumo
- Balanopostite é a inflamação da glande (balanite) e do prepúcio (postite) ao mesmo tempo; segundo a SBU, é o processo inflamatório mais frequente do pênis.
- A causa mais comum é o fungo Candida albicans, mas também há causas bacterianas e formas crônicas, como a balanite xerótica obliterante.
- Em homens de meia-idade e idosos, um quadro agudo deve levar à investigação de diabetes.
- Cremes com corticoide potente usados por conta própria podem piorar a pele do pênis; o tratamento depende da causa identificada na consulta.
Vermelhidão na cabeça do pênis, coceira, ardor, um pouco de secreção sob o prepúcio: são queixas comuns, que muitos homens tentam resolver sozinhos com a primeira pomada que encontram em casa. Às vezes melhora, às vezes volta pior. Por trás desses sintomas costuma estar a balanopostite, uma inflamação que tem causas bem conhecidas e que merece ser avaliada, principalmente quando se repete.
O que é balanopostite
O nome junta duas palavras: balanite é a inflamação da glande (a “cabeça” do pênis) e postite é a inflamação do prepúcio (a pele que recobre a glande). Quando as duas acontecem juntas, fala-se em balanopostite. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) a descreve como o processo inflamatório mais frequente do pênis.
Ela pode aparecer em qualquer idade. Nas diretrizes de urologia pediátrica da Associação Europeia de Urologia (EAU), a balanopostite é definida como vermelhidão e inchaço da glande e/ou do prepúcio com saída de pus, e é descrita em cerca de 6% dos meninos não circuncidados.
Principais causas
Fungos
Segundo a SBU, a causa mais comum é uma infecção aguda pelo fungo Candida albicans. Ela não é considerada uma infecção sexualmente transmissível, porque pode surgir sem relação sexual com penetração. Ainda assim, o casal pode compartilhar o fungo durante o sexo, e por isso, em alguns casos, a parceira ou o parceiro também precisa de avaliação.
Bactérias
Também existem balanopostites causadas por bactérias, que podem aparecer sozinhas ou como uma infecção que se instala por cima de um quadro inicial de fungo.
Formas crônicas
Há ainda inflamações de evolução lenta, ligadas a processos autoimunes. A mais conhecida é a balanite xerótica obliterante, que a EAU descreve como a forma genital do líquen escleroso: uma inflamação crônica, em geral sem dor, que pode atingir glande, prepúcio, meato (a abertura da uretra) e a própria uretra. Com o tempo, ela pode deixar cicatrizes, causar fimose e dificultar a saída da urina. A SBU destaca que tratar cedo diminui as complicações locais no futuro.
A ligação com o diabetes
Este é um ponto que muita gente desconhece. A SBU orienta que homens de meia-idade e idosos com balanopostite aguda sejam sempre investigados para diabetes, porque a infecção genital por fungos é a alteração mais comum no homem diabético que ainda não sabe do diagnóstico.
Na prática, isso quer dizer que uma inflamação “boba” no pênis pode ser o primeiro sinal de que a glicose está alta. Quem já tem diabetes também tende a ter mais episódios quando o controle não está bom. Por isso, na consulta, é comum o urologista pedir exames de glicemia além de examinar a região.
Sintomas mais comuns
Os sinais variam conforme a causa, mas os mais relatados são:
- vermelhidão e inchaço da glande e/ou do prepúcio;
- coceira, ardor ou dor local, às vezes ao urinar ou durante a relação;
- secreção ou placas esbranquiçadas sob o prepúcio;
- dificuldade para retrair o prepúcio por causa do inchaço;
- nas formas crônicas, manchas esbranquiçadas, pele mais fina ou endurecida e estreitamento do prepúcio.
Em crianças, a EAU lembra que a balanopostite não deve ser confundida com uma irritação localizada causada por gotinhas de urina que ficam retidas sob o prepúcio, uma situação mais simples e frequente.
Por que evitar pomadas por conta própria
Muitas pomadas vendidas sem receita combinam antifúngico, antibiótico e corticoide. A SBU alerta que cremes com corticoides fluorados de alta potência nunca devem ser usados por períodos prolongados nem como automedicação: eles podem causar atrofia e fragilidade da pele do pênis, que passa a se romper com facilidade durante a relação sexual, abrindo pequenos cortes que infeccionam e mantendo a inflamação mesmo sem infecção.
Além disso, cada causa pede um tratamento diferente. De acordo com a SBU, quando não há bactéria envolvida, o tratamento deve ser feito apenas com antifúngico; os antibióticos ficam reservados para os casos em que há infecção bacteriana associada. Usar o remédio errado pode mascarar o quadro e atrasar o diagnóstico.
Como é a avaliação
A consulta começa com uma conversa sobre os sintomas, há quanto tempo eles existem, se já aconteceram antes, quais produtos foram usados na região, doenças como diabetes e a vida sexual. Em seguida vem o exame da região genital. Conforme o caso, o médico pode pedir exames de sangue (como a glicemia), coleta de material da secreção ou, em lesões que não se comportam como uma inflamação comum, uma biópsia.
Esse último ponto é importante. O Ministério da Saúde orienta que toda lesão no pênis que não responde aos tratamentos convencionais, principalmente as de evolução lenta, seja avaliada por um médico e, quando indicado, biopsiada. A diretriz da EAU sobre câncer de pênis lista a fimose, a inflamação crônica do pênis, o líquen escleroso e o tabagismo entre os fatores de risco da doença. Isso não significa que uma balanopostite vá virar câncer, mas reforça por que inflamações persistentes não devem ser ignoradas.
E quando a inflamação se repete?
Nos casos de balanopostite de repetição, a SBU indica que a postectomia (cirurgia de retirada do prepúcio, a “cirurgia de fimose”) pode ser considerada mesmo quando não há fimose. A EAU, na diretriz pediátrica, também cita a balanopostite recorrente como uma das indicações médicas para cirurgia em meninos, e recomenda acompanhamento prolongado quando há balanite xerótica obliterante, pelo risco de estreitamento do meato ou de comprometimento da uretra. A decisão é sempre individual, tomada depois da avaliação e de uma conversa sobre benefícios e riscos.
Cuidados do dia a dia
A higiene é a base da prevenção. O Ministério da Saúde recomenda lavar o pênis diariamente com água e sabão, principalmente após as relações sexuais e a masturbação, e ensinar esse hábito aos meninos desde cedo. Para quem não é circuncidado, isso inclui retrair o prepúcio com delicadeza durante o banho, lavar e secar bem a região. Em crianças pequenas, o prepúcio não deve ser puxado à força: a retração acontece aos poucos, com o crescimento.
Outros cuidados que ajudam:
- usar preservativo nas relações sexuais, que também protege contra infecções sexualmente transmissíveis;
- manter o diabetes acompanhado, quando presente;
- não usar pomadas de corticoide ou antibiótico sem orientação médica;
- procurar avaliação se os episódios se repetirem.
Uma queixa comum, que merece atenção
Falar sobre alterações no pênis ainda causa constrangimento, e isso faz muitos homens e pais de meninos adiarem a consulta. A balanopostite, em geral, tem causa identificável e tratamento definido, mas o primeiro passo é descobrir o que está por trás dela. No consultório do Dr. Ruston Louback, em Manhuaçu-MG, a avaliação é feita com privacidade, para adultos e crianças, com foco em encontrar a causa e orientar o cuidado mais adequado para cada caso.
Quando procurar o urologista
- Há vermelhidão, inchaço, coceira, ardor ou secreção na glande ou no prepúcio que não melhora em poucos dias.
- O quadro volta com frequência, ou você tem diabetes (ou suspeita de ter) e notou essas alterações.
- Surgiram manchas esbranquiçadas, endurecimento da pele, dificuldade para retrair o prepúcio ou para urinar.
- Em meninos, há inchaço com vermelhidão e pus no prepúcio, ou episódios repetidos de inflamação.
Referências
- Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Fimose, parafimose e balanopostite: quais as diferenças? – Portal da Urologia
- European Association of Urology (EAU). Guidelines on Paediatric Urology – Phimosis and other abnormalities of the penile skin
- European Association of Urology (EAU). Guidelines on Penile Cancer – Epidemiology, aetiology and pathology
- Ministério da Saúde. Câncer de pênis (Saúde de A a Z)
Conteúdo informativo, não substitui consulta. Este artigo tem finalidade educativa e não deve ser usado para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso exige avaliação individual por um médico. Em situações de urgência, procure atendimento imediato.