Baixa libido no homem: causas, exames e quando procurar ajuda
Desejo sexual baixo no homem pode ter causas hormonais, emocionais, de relacionamento ou de remédios. Veja como é feita a avaliação e o que se trata.
Em resumo
- Baixa libido é a falta persistente de pensamentos, fantasias e vontade de atividade sexual, avaliada considerando a idade e o momento de vida de cada pessoa.
- As causas costumam se misturar: fatores emocionais e de relacionamento, doenças crônicas, remédios de uso contínuo e alterações hormonais.
- A avaliação inclui conversa detalhada, exame físico e exames de sangue para descartar problemas hormonais, como testosterona baixa, prolactina alta e alterações da tireoide.
- O tratamento depende da causa; a testosterona só é indicada quando a deficiência é comprovada, conforme a Resolução CFM nº 2.333/2023.
O desejo sexual não é igual para todo mundo e nem permanece o mesmo a vida inteira. Fases de estresse, cansaço ou preocupação podem reduzir a vontade por algum tempo. Quando a falta de interesse se prolonga, causa sofrimento ou passa a pesar no relacionamento, ela merece ser avaliada, porque muitas vezes tem uma causa identificável.
O que os médicos chamam de baixa libido
A diretriz de saúde sexual e reprodutiva da Associação Europeia de Urologia (EAU) usa a definição de deficiência ou ausência persistente ou recorrente de pensamentos ou fantasias sexuais e de desejo de atividade sexual. A própria diretriz ressalta que o médico precisa levar em conta a idade e o contexto de vida da pessoa antes de considerar o desejo “baixo”. Não existe um número certo de relações por semana que sirva de régua.
Um ponto importante é separar a falta de desejo de outros problemas. Às vezes, o homem procura ajuda dizendo que “perdeu a vontade”, mas o que começou primeiro foi a dificuldade de ereção ou a ejaculação precoce, e o desinteresse veio depois, como consequência da frustração. Essa ordem dos acontecimentos ajuda a orientar o tratamento.
A EAU cita um levantamento com mais de 12 mil homens de meia-idade na Alemanha em que 4,7% relataram baixo desejo sexual. A queixa é menos comum em homens do que em mulheres, mas é a mais frequente nas terapias de casal. Mulheres com perda persistente de desejo também devem buscar avaliação médica, já que as causas e os caminhos de tratamento têm particularidades.
Corpo, mente e relacionamento: as causas se misturam
A EAU descreve o desejo sexual com três componentes que costumam estar entrelaçados: o impulso biológico, a motivação psicológica e a vontade influenciada pela cultura e pelas crenças de cada um.
Fatores emocionais e do relacionamento
Pensamentos negativos durante a relação, como medo de não conseguir a ereção, e atitudes muito restritivas sobre sexualidade estão associados à baixa libido em homens. Ansiedade, raiva, depressão e estresse pós-traumático também aparecem entre as causas comuns. Conflitos com a parceria, preocupação com o futuro do relacionamento e problemas financeiros recentes foram fatores de risco em um grande estudo internacional citado pela diretriz.
A EAU destaca ainda o conceito de diferença de desejo entre os parceiros: muitas vezes não há um “culpado”, e sim dois níveis de desejo diferentes, algo que varia naturalmente ao longo da vida. Olhar para o casal, e não só para quem tem menos vontade, reduz o estigma e abre mais possibilidades de cuidado.
Hormônios
A testosterona é importante para o desejo sexual masculino, mas a EAU lembra que o nível de desejo não acompanha diretamente o valor da testosterona no sangue, principalmente em homens mais velhos. Por isso, um exame isolado não explica tudo. Outras alterações hormonais que podem reduzir a libido são a prolactina elevada (às vezes causada por um tumor benigno da hipófise, chamado prolactinoma) e os distúrbios da tireoide.
Doenças e remédios
Entre as causas comuns listadas pela EAU estão:
- doença coronariana e insuficiência cardíaca;
- insuficiência renal;
- infecção pelo HIV;
- acidente vascular cerebral e epilepsia;
- prostatite e dor pélvica crônica;
- disfunção erétil;
- uso de antidepressivos;
- fisiculturismo e transtornos alimentares;
- envelhecimento.
O tabagismo, a saúde geral ruim e as doenças vasculares também aparecem como fatores de risco. A diretriz da Associação Americana de Urologia (AUA) acrescenta que alguns medicamentos, como antipsicóticos, opioides, certos antidepressivos e remédios para enjoo, podem elevar a prolactina.
Como é feita a avaliação
A conversa é a parte mais importante da consulta. A EAU recomenda basear o diagnóstico na história clínica e sexual, que pode incluir questionários padronizados. O médico costuma perguntar desde quando a vontade diminuiu, se houve algum gatilho, como está o relacionamento, se existem sintomas de depressão, quais remédios são usados e se há outras queixas sexuais ou urinárias.
O exame físico faz parte da avaliação inicial, principalmente para procurar alterações associadas, como sinais de disfunção erétil ou de deficiência hormonal. A EAU recomenda, com grau de recomendação forte, exames de laboratório para descartar distúrbios endócrinos, entre eles testosterona total, prolactina e hormônios da tireoide, conforme os sintomas.
Quando a testosterona é medida, a AUA orienta que o diagnóstico de nível baixo só seja feito após duas dosagens em dias diferentes, colhidas no início da manhã, e que a deficiência só seja confirmada quando o valor baixo vem acompanhado de sintomas ou sinais. A diretriz também recomenda dosar o hormônio luteinizante (LH) e, em alguns casos, a prolactina, para entender a origem do problema.
Tratamento: cuidar da causa, não só do sintoma
A EAU resume a abordagem em uma frase: o tratamento deve ser ajustado à causa. Na prática, isso pode envolver:
- Acompanhamento psicológico, com estratégias cognitivas e comportamentais; a diretriz cita a atenção plena (mindfulness) como opção promissora e reconhece que os estudos ainda são poucos. Envolver a parceria costuma ajudar.
- Revisão dos remédios de uso contínuo que possam estar reduzindo o desejo, sempre pelo médico que os prescreveu. Nunca interrompa um antidepressivo ou outro medicamento por conta própria.
- Tratamento de doenças associadas, como diabetes, hipotireoidismo, hipertireoidismo e depressão. Para a depressão, a EAU sugere preferir remédios com menos efeitos na vida sexual e lembra que a psicoterapia pode somar ao tratamento.
- Tratamento da prolactina alta, quando presente, que pode exigir ressonância da hipófise e medicamentos específicos.
- Reposição de testosterona apenas na deficiência comprovada, quando a baixa libido vem acompanhada de sinais e sintomas de falta do hormônio e de exames confirmando o nível baixo.
Testosterona não é atalho
No Brasil, a Resolução CFM nº 2.333/2023 permite a prescrição de hormônios apenas quando há deficiência específica comprovada e proíbe o uso com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de melhora de desempenho. A AUA reforça um cuidado extra: homens que estão tentando ter filhos não devem usar testosterona, porque ela pode prejudicar a produção de espermatozoides. Sem indicação, o hormônio não resolve a falta de desejo e expõe a riscos.
Hábitos que fazem parte do cuidado
O Ministério da Saúde estimula o homem a cuidar da saúde de forma preventiva, e várias dessas medidas também favorecem a vida sexual: não fumar, moderar o álcool, praticar atividade física, dormir bem e manter em dia o controle da pressão, da glicemia e do peso.
Falar sobre o assunto é o primeiro passo
Muitos homens demoram anos para comentar a falta de desejo, por vergonha ou por achar que “é da idade”. Entender a causa permite escolher o caminho mais adequado, às vezes simples, como ajustar um remédio. No consultório do Dr. Ruston Louback, em Manhuaçu-MG, a avaliação da saúde sexual é feita de forma individualizada, com sigilo e espaço para a parceria participar, se o paciente desejar.
Quando procurar o urologista
- A falta de desejo dura meses e incomoda você ou está afetando o relacionamento.
- A queda do desejo veio junto com dificuldade de ereção, cansaço, perda de pelos ou aumento das mamas.
- O desejo diminuiu depois de começar um remédio de uso contínuo, como antidepressivo.
- Você tem diabetes, doença do coração ou dos rins e notou mudança na vida sexual.
Referências
- European Association of Urology (EAU). Sexual and Reproductive Health Guidelines – Low Sexual Desire and Male Hypoactive Sexual Desire Disorder
- American Urological Association (AUA). Testosterone Deficiency Guideline
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333/2023
- Ministério da Saúde. Saúde do Homem
Conteúdo informativo, não substitui consulta. Este artigo tem finalidade educativa e não deve ser usado para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso exige avaliação individual por um médico. Em situações de urgência, procure atendimento imediato.