Saúde sexual e fertilidade

Cigarro, álcool e vida sexual: o que muda na ereção e na fertilidade

Como o cigarro e o excesso de álcool afetam a ereção, o desejo, o sêmen e a testosterona, e onde buscar apoio no SUS para parar de fumar ou beber menos.

Cigarro aceso apoiado sobre tábuas de madeira velhas e desgastadas, com fumaça subindo (imagem ilustrativa)
Imagem ilustrativa

Em resumo

  • O INCA e o Ministério da Saúde incluem a impotência sexual e a infertilidade em homens e mulheres entre as doenças associadas ao tabagismo.
  • Segundo a SBU, o cigarro favorece a aterosclerose, que reduz o fluxo de sangue nas artérias do pênis e dificulta uma ereção firme.
  • O consumo pesado de álcool pode causar disfunção erétil, retardo da ejaculação, queda do desejo e alterações na testosterona e nos espermatozoides.
  • O SUS oferece tratamento gratuito para parar de fumar nas unidades básicas de saúde, e o Disque Saúde 136 orienta sobre o assunto.

Muita gente associa o cigarro ao pulmão e o álcool ao fígado. A vida sexual raramente entra nessa lista, embora seja uma das áreas em que os dois hábitos deixam marcas cedo. Entender como isso acontece ajuda a ligar sintomas que parecem soltos, como uma ereção menos firme ou a demora para engravidar, a fatores que podem ser modificados.

O que as instituições de saúde dizem sobre o cigarro

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) descreve o tabagismo como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina e lista, entre as enfermidades para as quais ele contribui, a impotência sexual e a infertilidade em mulheres e homens, além de vários tipos de câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias. O Ministério da Saúde reforça que o tabagismo está relacionado a pelo menos 50 doenças, entre elas a impotência e a infertilidade.

Isso vale para todos os derivados do tabaco. A Linha de Cuidado do Tabagismo, do Ministério da Saúde, lembra que a nicotina está presente no cigarro comum, no charuto, no cachimbo, no cigarro de palha e no narguilé.

Por que fumar atrapalha a ereção

A ereção depende de artérias saudáveis, capazes de dilatar e levar mais sangue ao pênis no momento do estímulo. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) explica que o hábito de fumar aumenta a chance de aterosclerose, o acúmulo de placas que estreita as artérias, inclusive a artéria peniana, o que dificulta uma ereção rígida.

A Anvisa acrescenta que o risco de disfunção erétil é maior em fumantes do que em não fumantes, provavelmente porque a nicotina contrai as artérias e reduz o fluxo de sangue para o pênis. Por isso, uma mudança na ereção de quem fuma merece ser avaliada também como um sinal sobre a saúde dos vasos sanguíneos.

Álcool: o efeito de curto prazo e o de longo prazo

O álcool costuma ser visto como um facilitador do sexo, porque desinibe. Uma publicação do Ministério da Saúde sobre álcool e redução de danos mostra o outro lado: altas concentrações de álcool no sangue causam disfunção erétil, ejaculação tardia e orgasmo mais fraco, e o uso pesado por muito tempo pode levar à impotência.

O mesmo documento descreve efeitos hormonais do consumo pesado, como alteração na secreção de testosterona, diminuição da motilidade dos espermatozoides e prejuízo na estrutura deles. Nas mulheres, o texto cita perda de libido, menor lubrificação vaginal e ovulação irregular. Ou seja, o impacto não é exclusivo dos homens.

O Portal da Urologia, da SBU, inclui o álcool entre as substâncias que podem causar problemas de ereção e coloca a abstenção de álcool, tabaco e drogas ilícitas entre as chaves da prevenção. Em nota técnica de 2024, o Ministério da Saúde recomenda evitar bebidas alcoólicas, porque não há quantidade isenta de risco para a saúde. A mesma nota lembra que o álcool pode favorecer o sexo desprotegido e o uso irregular de preservativo, aumentando a exposição a infecções sexualmente transmissíveis.

Fertilidade: o que chega ao sêmen

As diretrizes de saúde sexual e reprodutiva da Associação Europeia de Urologia (EAU) recomendam, com grau forte, que homens com infertilidade sejam informados sobre os efeitos prejudiciais da obesidade, do sedentarismo, do tabagismo e do consumo elevado de álcool na qualidade do sêmen e nos níveis de testosterona, e orientados a melhorar esses hábitos para aumentar as chances de concepção.

A EAU também cita o tabagismo entre os fatores ligados ao estresse oxidativo, que pode danificar o DNA dos espermatozoides. Para casais que planejam ter filhos, vale lembrar que o INCA associa o cigarro à infertilidade nos dois sexos: a mudança de hábito é um cuidado do casal, não de um só.

Quem já fuma ou bebe há anos ainda se beneficia?

Sim. A Linha de Cuidado do Tabagismo afirma que parar de fumar sempre vale a pena, em qualquer momento da vida. Entre os efeitos descritos, a circulação melhora cerca de três semanas após o último cigarro, e o risco de morte por infarto cai pela metade depois de um ano. A SBU observa que, quanto mais cedo a decisão, maiores as chances de evitar doenças.

Na disfunção erétil, a EAU recomenda que a mudança de estilo de vida e o controle dos fatores de risco comecem antes ou junto com o tratamento específico. Isso não significa que parar de fumar resolva tudo sozinho: a resposta varia de pessoa para pessoa, e outras causas, como diabetes, pressão alta, medicamentos e fatores emocionais, precisam ser avaliadas ao mesmo tempo.

Como buscar apoio para mudar

Não é preciso enfrentar isso sem ajuda. Pelo Ministério da Saúde:

  • Tabagismo: o SUS oferece tratamento gratuito nas unidades básicas de saúde, com aconselhamento estruturado e, quando indicado, adesivo ou goma de nicotina e bupropiona. O Disque Saúde 136 orienta sobre como parar de fumar.
  • Recaídas fazem parte: a Linha de Cuidado lembra que a maioria das pessoas que param de fumar consegue depois de mais de uma tentativa. Também orienta evitar bebidas alcoólicas nesse período, porque elas estimulam a vontade de fumar.
  • Álcool: a Linha de Cuidado sobre uso de álcool orienta procurar um profissional de saúde quando a bebida estiver afetando a saúde física ou mental, a rotina ou os relacionamentos. Há atendimento gratuito nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), e grupos de ajuda mútua também podem apoiar a mudança.

Remédios para parar de fumar ou para ereção não devem ser usados por conta própria: a escolha depende de uma avaliação individual.

O que o urologista avalia

Na consulta, a conversa inclui o tempo e a quantidade de cigarro e de álcool, outras doenças, medicamentos em uso, sono e humor, além de como estão a ereção, o desejo e a ejaculação. O exame físico e, conforme o caso, exames de sangue (como glicemia, colesterol e testosterona) ou o espermograma ajudam a entender o quadro e a definir os próximos passos.

Falar sobre esses hábitos sem constrangimento faz parte do cuidado. No consultório do Dr. Ruston Louback, em Manhuaçu-MG, a avaliação da saúde sexual e reprodutiva é feita com privacidade e de forma integrada ao restante da saúde de cada paciente.

Quando procurar o urologista

  • Você fuma ou bebe com frequência e percebeu mudança na firmeza ou na duração da ereção.
  • O casal tenta engravidar há 12 meses sem sucesso, ou há 6 meses se a mulher tem 35 anos ou mais.
  • Houve queda do desejo sexual, dificuldade para ejacular ou diminuição do volume do sêmen.
  • Você quer parar de fumar ou reduzir o álcool e precisa de orientação sobre como isso se encaixa no cuidado da saúde sexual.
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Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Tabagismo
  2. Ministério da Saúde. Tabagismo pode provocar câncer, tuberculose, doenças respiratórias, impotência e infertilidade (2022)
  3. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). SBU alerta para danos do tabagismo à saúde do homem – Portal da Urologia
  4. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Disfunção erétil: conheça causas, sintomas, prevenção e tratamentos – Portal da Urologia
  5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Cigarro – danos à saúde
  6. European Association of Urology (EAU). Guidelines on Sexual and Reproductive Health
  7. Ministério da Saúde. Álcool e redução de danos: uma abordagem inovadora para países em transição (2004)
  8. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 263/2024-SVSA/SAPS/SAES/MS (consumo de álcool)
  9. Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado – Tabagismo: Sou paciente
  10. Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado – Transtornos por uso de álcool no adulto: Sou paciente

Conteúdo informativo, não substitui consulta. Este artigo tem finalidade educativa e não deve ser usado para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso exige avaliação individual por um médico. Em situações de urgência, procure atendimento imediato.

Dr. Ruston Louback, urologista, em seu consultório
Sobre o autor

Dr. Ruston Louback

Urologista

CRM-MG 58259 | RQE 57530

Urologista (RQE Urologia 57530), com qualificação também em Cirurgia Oncológica (RQE 27853) e Cirurgia Geral (RQE 27852). Atende em consultório no Centro de Manhuaçu-MG. Os artigos deste blog têm caráter educativo e seguem diretrizes de sociedades médicas.

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