Saúde sexual e fertilidade

Torção testicular: por que a dor súbita no testículo é emergência

Dor forte e repentina no testículo, comum entre 12 e 18 anos, pode ser torção testicular. Entenda os sinais, por que o tempo importa e o que acontece no hospital.

Ilustração anatômica de um testículo com o cordão espermático torcido em espiral, sobre fundo azul-marinho (imagem ilustrativa)
Imagem ilustrativa

Em resumo

  • Na torção testicular, o testículo gira sobre o cordão espermático e o sangue deixa de chegar a ele.
  • É mais comum entre 12 e 18 anos e no período neonatal, mas pode acontecer em crianças e adultos.
  • O sinal típico é dor súbita e intensa na bolsa escrotal, muitas vezes com náuseas ou vômitos, inclusive durante o sono.
  • O tempo é decisivo: a Sociedade Brasileira de Urologia aponta que, operados em até 6 horas, mais de 90% dos testículos são preservados.

Um adolescente acorda de madrugada com uma dor muito forte em um dos testículos. Às vezes ele sente enjoo, vomita e, por vergonha, demora a contar para os pais. Essa demora é justamente o que mais preocupa na torção testicular, uma das poucas situações em urologia em que poucas horas fazem diferença real no resultado.

O que é a torção testicular

Cada testículo fica suspenso dentro da bolsa escrotal pelo cordão espermático, que leva as artérias e veias responsáveis pela circulação do órgão, além do canal que transporta os espermatozoides. Normalmente, o testículo também fica preso à parede da bolsa na sua parte inferior.

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), quando essa fixação não se forma de maneira adequada durante o desenvolvimento, o testículo fica com mobilidade aumentada e pode girar sobre o próprio eixo. Ao girar, o cordão espermático torce como uma corda, e a entrada de sangue com oxigênio diminui ou para. Esse estado de falta de circulação é chamado de isquemia, e é ele que causa a dor.

Quanto mais voltas o cordão dá, maior o risco de dano.

Quem pode ter

A SBU informa que a torção acontece na grande maioria das vezes entre 12 e 18 anos, com incidência estimada de 1 caso para cada 4.000 homens. Ela também pode ocorrer na infância e na vida adulta, com frequência bem menor.

A diretriz de urologia pediátrica da Associação Europeia de Urologia (EAU) acrescenta que a torção é mais frequente em dois momentos: no período neonatal e por volta da puberdade. No recém-nascido, a torção muitas vezes ocorre ainda antes do parto e pode atingir os dois lados. A EAU lembra ainda que um testículo que não desceu para a bolsa também pode sofrer torção.

Sinais que pedem atendimento imediato

O quadro típico, descrito tanto pela SBU quanto pela EAU, inclui:

  • dor súbita e intensa em um lado da bolsa escrotal;
  • dor que pode se espalhar para a virilha e para a parte de baixo da barriga;
  • náuseas e vômitos, pela intensidade da dor;
  • bolsa escrotal inchada, avermelhada e endurecida;
  • testículo afetado em posição mais alta ou atravessada.

Dois detalhes ajudam a entender por que o diagnóstico às vezes atrasa. Primeiro, a torção costuma acontecer em repouso, muitas vezes durante o sono, mas também pode surgir durante atividade física. Segundo, como a dor pode irradiar para a barriga e vir com vontade frequente de urinar, ela às vezes é confundida com cólica renal por quem não é da área.

A SBU também alerta que a dor pode diminuir ou ir e voltar quando a torção se desfaz sozinha, especialmente se for incompleta. Melhorar não significa que o problema acabou: crises desse tipo precisam ser avaliadas.

Em bebês, a apresentação é diferente, porque o recém-nascido não consegue mostrar onde dói. Um aumento de volume, endurecimento ou mudança de cor na bolsa escrotal do bebê também merece avaliação médica rápida.

Por que o tempo é tão importante

O testículo tolera pouco tempo sem circulação. A EAU descreve uma janela crítica de cerca de quatro a seis horas para evitar alterações irreversíveis, e aponta que os dois fatores que mais pesam no resultado são o tempo entre o início dos sintomas e o desfazer da torção e o número de voltas do cordão.

A SBU traduz isso em números: com cirurgia em até seis horas, mais de 90% dos testículos são preservados. Depois desse prazo, cada minuto conta; após 12 horas, as taxas de sucesso podem cair para cerca de 20%, e após 24 horas a chance de salvar o testículo é praticamente nula.

Por isso, não espere a dor passar: o caminho é o pronto-atendimento.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame físico. Um dos testes é o reflexo cremastérico: ao tocar levemente a parte interna da coxa, o testículo normalmente sobe um pouco. Na torção, esse reflexo costuma estar ausente.

O exame de imagem mais usado é o ultrassom com Doppler da bolsa testicular, que mostra se o sangue está chegando ao testículo. A EAU faz uma ressalva importante: o Doppler depende de quem realiza o exame, e a presença de fluxo não descarta totalmente a torção, sobretudo nas fases iniciais ou quando ela é parcial ou intermitente. Quando a suspeita clínica é forte, o exame não deve atrasar a cirurgia.

Outras causas de dor aguda na bolsa escrotal

Nem toda dor no testículo é torção. A EAU cita como causas frequentes de “escroto agudo” a torção do apêndice testicular (uma pequena estrutura presa ao testículo, que também pode torcer) e a epididimite ou orquiepididimite, inflamações que costumam piorar ao longo de dias e vir com febre com mais frequência. Separar essas situações é tarefa da equipe médica, e não deve ser tentado em casa.

O que acontece no tratamento

Segundo a SBU e a EAU, o tratamento da torção testicular é cirúrgico, geralmente sob anestesia geral. Durante a cirurgia, o cirurgião desfaz a torção e observa se o testículo volta a receber sangue. Quando ele se recupera, é fixado na bolsa escrotal, e a fixação costuma ser feita também no testículo do outro lado, para reduzir o risco de uma nova torção no futuro. Quando o testículo não tem mais condições de recuperação, pode ser necessário retirá-lo.

Em alguns casos, o médico consegue desfazer a torção com manobras manuais durante o exame. A EAU orienta que essa manobra não deve atrasar a cirurgia, e a SBU lembra que, mesmo quando ela dá certo, a fixação cirúrgica continua indicada, porque o risco de nova torção permanece.

E depois: crescimento, hormônios e fertilidade

Entre as possíveis consequências, a SBU cita a perda do testículo por isquemia irreversível, infecção local e prejuízo à fertilidade, inclusive em parte dos jovens que tiveram o testículo preservado. A EAU registra que a cirurgia precoce está associada à preservação da fertilidade e a menos perda do órgão.

Por isso, quem já teve torção se beneficia de acompanhamento urológico: avaliar o testículo operado ao longo do tempo, orientar o autoexame e, na vida adulta, discutir exames como o espermograma quando houver planos de ter filhos.

Uma orientação simples para pais e adolescentes

Vale conversar com meninos e adolescentes sobre o assunto antes que ele aconteça: dor forte e repentina no testículo não é algo para esconder nem para esperar passar. Contar logo a um adulto e procurar atendimento é o que mais protege o testículo.

No consultório do Dr. Ruston Louback, em Manhuaçu-MG, o atendimento de crianças, adolescentes e adultos inclui o acompanhamento depois de uma torção e a avaliação de dores escrotais que vão e voltam. Diante de dor súbita e intensa, porém, o primeiro passo é sempre o pronto-atendimento mais próximo.

Quando procurar o urologista

  • Dor forte e repentina em um testículo, em qualquer idade: vá direto a um pronto-atendimento, sem esperar a consulta.
  • Episódios de dor intensa no testículo que começam de repente e passam sozinhos, mesmo que já tenham melhorado.
  • Testículo que ficou mais alto, inchado ou endurecido depois de uma crise de dor.
  • Acompanhamento após uma cirurgia de torção, incluindo dúvidas sobre fertilidade no futuro.
Agendar consulta pelo WhatsApp Urologia · Centro, Manhuaçu-MG · atendimento particular

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Torção de testículo: o que é preciso saber! – Portal da Urologia
  2. European Association of Urology (EAU). Guidelines on Paediatric Urology – Acute scrotum in children
  3. European Association of Urology (EAU). Guidelines on Urological Infections

Conteúdo informativo, não substitui consulta. Este artigo tem finalidade educativa e não deve ser usado para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso exige avaliação individual por um médico. Em situações de urgência, procure atendimento imediato.

Dr. Ruston Louback, urologista, em seu consultório
Sobre o autor

Dr. Ruston Louback

Urologista

CRM-MG 58259 | RQE 57530

Urologista (RQE Urologia 57530), com qualificação também em Cirurgia Oncológica (RQE 27853) e Cirurgia Geral (RQE 27852). Atende em consultório no Centro de Manhuaçu-MG. Os artigos deste blog têm caráter educativo e seguem diretrizes de sociedades médicas.

Agendar