Uro-oncologia

Câncer de pênis: sinais de alerta, fatores de risco e prevenção

Ferida no pênis que não cicatriza merece avaliação. Entenda os sinais do câncer de pênis, o papel da fimose e do HPV e as medidas simples de prevenção.

Sabonete em saboneteira azul-marinho, toalha dobrada, frasco de vacina, seringa embalada e laço dourado sobre bancada clara (imagem ilustrativa)
Imagem ilustrativa

Em resumo

  • O câncer de pênis é raro, mas no Brasil ainda representa cerca de 2% dos tumores que atingem os homens, segundo o INCA, com mais casos no Norte e no Nordeste.
  • O sinal mais comum é uma ferida, úlcera ou caroço persistente na glande, no prepúcio ou no corpo do pênis, que não melhora com o tratamento.
  • Fimose, má higiene, infecção pelo HPV, inflamação crônica e tabagismo estão entre os fatores de risco descritos pelo INCA e pela EAU.
  • Higiene diária, preservativo, vacina contra o HPV na idade indicada e avaliação precoce de qualquer lesão são as principais medidas de prevenção.

Pouca gente fala sobre câncer de pênis, e esse silêncio tem um custo. Por vergonha ou por achar que “vai passar”, muitos homens convivem com uma ferida no pênis durante meses antes de procurar ajuda. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) informa que mais da metade dos pacientes demora até um ano depois das primeiras lesões para ir ao médico. É um tumor que, na maior parte das vezes, pode ser prevenido com medidas simples e que tem tratamento menos agressivo quando é descoberto cedo.

Um câncer raro, mas presente no Brasil

Segundo o INCA, o câncer de pênis representa cerca de 2% de todos os tumores que atingem o homem no Brasil e é mais frequente nas regiões Norte e Nordeste. De janeiro a novembro de 2022, foram 1.933 homens atendidos com essa doença no SUS, segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares citados pelo instituto.

A doença é mais comum a partir dos 50 anos, com pico de incidência na sexta década de vida, mas também pode aparecer em homens mais jovens. Mais de 95% dos casos são do tipo carcinoma de células escamosas, que nasce na pele e na mucosa que revestem a glande e o prepúcio, de acordo com a diretriz da Associação Europeia de Urologia (EAU).

O que aumenta o risco

O INCA e a EAU descrevem um conjunto de fatores que se repetem nos casos:

  • Fimose: quando o prepúcio é estreito e não deixa a glande ser exposta, a limpeza fica difícil e a inflamação se torna crônica. A EAU descreve a fimose como fortemente associada ao câncer invasivo de pênis.
  • Higiene íntima inadequada: o acúmulo de secreções e as inflamações de repetição sob o prepúcio favorecem lesões.
  • Infecção pelo HPV: a EAU aponta o papilomavírus humano como o principal fator de risco. Cerca de metade dos tumores de pênis está ligada ao vírus, sobretudo ao tipo 16.
  • Inflamação crônica e líquen escleroso: uma doença de pele que deixa a região esbranquiçada, endurecida e às vezes com fissuras.
  • Tabagismo.
  • Condições socioeconômicas e acesso à saúde: baixa renda e baixa escolaridade aparecem associadas à doença, provavelmente por menos acesso à informação, a cuidados de higiene e à consulta precoce.

Ter um desses fatores não significa que a pessoa vai ter câncer. Eles mostram onde a prevenção faz mais diferença.

Sinais que merecem avaliação

O sinal mais comum, segundo o INCA, é uma ferida ou úlcera persistente, ou um caroço na glande, no prepúcio ou no corpo do pênis. Outros sinais que pedem atenção:

  • mudança na cor da pele do pênis ou do prepúcio, como manchas avermelhadas ou esbranquiçadas;
  • espessamento da pele em um ponto;
  • lesão que parece verruga e cresce;
  • secreção com mau cheiro debaixo do prepúcio, principalmente quando não é possível expor a glande;
  • ferida tratada como infecção sexualmente transmissível que não melhorou depois do tratamento;
  • ínguas na virilha, que podem indicar que a doença chegou aos gânglios.

Em quem tem fimose, a lesão pode ficar escondida debaixo do prepúcio e só ser percebida pelo sangramento, pela secreção ou pelo cheiro. O INCA lembra que, na maior parte das vezes, esses sintomas não são câncer. Mas devem ser examinados por um médico, sobretudo se não melhorarem em alguns dias ou semanas.

Como é feita a investigação

A avaliação começa pela conversa e pelo exame físico do pênis e das virilhas. Toda lesão suspeita precisa de biópsia, que é a retirada de um pequeno fragmento de tecido para análise no microscópio. É a biópsia que confirma ou afasta o diagnóstico. Muitas vezes ela mostra uma inflamação, uma infecção ou uma lesão benigna.

Quando o câncer é confirmado, exames de imagem como ressonância magnética e tomografia podem ser usados para avaliar a profundidade do tumor e verificar se há comprometimento de gânglios ou de outros órgãos. O INCA informa que não existe rastreamento recomendado para o câncer de pênis em homens sem sintomas. Por isso, o que muda o desfecho é não adiar a avaliação de uma lesão que não cicatriza.

Tratamento: quanto mais cedo, mais conservador

O tratamento depende do tamanho e da profundidade do tumor e de os gânglios da virilha estarem ou não comprometidos. Segundo o INCA, lesões iniciais podem ser tratadas com medicamentos aplicados sobre a pele, laser, retirada apenas da lesão com margem de segurança ou radioterapia. O objetivo é remover todo o tumor preservando o máximo possível do órgão.

Nas lesões mais profundas, a cirurgia precisa ser mais ampla e pode incluir a retirada de parte do pênis. Quando os gânglios estão comprometidos, eles também são operados, e a quimioterapia pode ser usada nos casos avançados. Essas cirurgias afetam a vida sexual, a forma de urinar e a autoestima. É por isso que o diagnóstico precoce importa tanto: ele aumenta a chance de um tratamento menor.

Depois do tratamento, o acompanhamento é regular e prolongado. Segundo o INCA, quem tratou lesões iniciais sem gânglios comprometidos faz exame físico a cada 3 meses nos primeiros 2 anos e, depois, a cada 6 meses até completar 5 anos.

Prevenção ao alcance de todos

A parte mais importante da conversa é a prevenção. As medidas recomendadas pelo INCA e pelo Ministério da Saúde são simples:

Higiene diária

Lavar o pênis todos os dias com água e sabão, puxando o prepúcio para limpar bem a glande, principalmente depois das relações sexuais. O INCA recomenda ensinar esse hábito aos meninos desde cedo, de forma natural.

Tratar a fimose quando indicado

Se o prepúcio não permite expor a glande, vale procurar o urologista. Nem toda fimose precisa de cirurgia, principalmente em crianças pequenas, mas o médico pode avaliar o melhor caminho (veja o artigo sobre fimose e postectomia). Infecções de repetição na glande e no prepúcio também merecem atenção (leia sobre balanopostite).

Preservativo

O uso de camisinha reduz a transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis.

Vacina contra o HPV

A vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS a meninos e meninas de 9 a 14 anos, em dose única, além de outros grupos definidos pelo Ministério da Saúde. Ela protege contra os tipos de HPV mais frequentes, entre eles o 16 e o 18, associados a tumores de colo do útero, ânus, boca, garganta e pênis.

Não fumar

O tabagismo aparece entre os fatores de risco, e parar de fumar traz benefícios para muitos outros órgãos.

Sem vergonha de mostrar

Examinar uma lesão no pênis faz parte da rotina do urologista. A consulta é feita com privacidade e respeito, e quanto antes a ferida for vista, mais simples tende a ser a solução, seja ela qual for. No consultório do Dr. Ruston Louback, em Manhuaçu-MG, a avaliação de lesões genitais segue as orientações do INCA e das diretrizes de urologia. Na dúvida, não espere a ferida “sumir sozinha”.

Quando procurar o urologista

  • Há uma ferida, mancha, verruga ou caroço no pênis que não cicatriza em algumas semanas.
  • Uma lesão tratada como infecção sexualmente transmissível não melhorou depois do tratamento.
  • Você não consegue expor a glande para fazer a higiene, ou sente dor, mau cheiro ou secreção debaixo do prepúcio.
  • Surgiram ínguas (caroços) na virilha sem causa aparente.
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Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pênis – introdução
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pênis – versão para a população
  3. European Association of Urology (EAU). Penile Cancer Guidelines – Epidemiology, Aetiology and Pathology
  4. European Association of Urology (EAU). Penile Cancer Guidelines – Diagnostic Evaluation and Staging
  5. Ministério da Saúde. HPV – vacinação e prevenção

Conteúdo informativo, não substitui consulta. Este artigo tem finalidade educativa e não deve ser usado para autodiagnóstico ou automedicação. Cada caso exige avaliação individual por um médico. Em situações de urgência, procure atendimento imediato.

Dr. Ruston Louback, urologista, em seu consultório
Sobre o autor

Dr. Ruston Louback

Urologista

CRM-MG 58259 | RQE 57530

Urologista (RQE Urologia 57530), com qualificação também em Cirurgia Oncológica (RQE 27853) e Cirurgia Geral (RQE 27852). Atende em consultório no Centro de Manhuaçu-MG. Os artigos deste blog têm caráter educativo e seguem diretrizes de sociedades médicas.

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